Dívida de aposentados com empréstimos consignados chega a R$ 110 bilhões

Enquanto o mercado de crédito continua a encolher no Brasil e o estoque de financiamentos registra retração de 1,6% nos últimos 12 meses encerrados em junho, os empréstimos consignados se mantêm em alta, conforme dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). O estoque dessa modalidade cresceu 14,8% nos últimos 12 meses. Só no primeiro semestre deste ano, a alta foi de 9,1%. Beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) são os que mostram o maior apetite pelos financiamentos. Eles devem R$ 110 bilhões a instituições financeiras.

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A explicação para essa disparada é que, diante da crise econômica e da escalada do desemprego, o sustento de muitas famílias recai sobre os aposentados e pensionistas do INSS. Muitos deles tomam empréstimos para cobrir as dívidas de filhos e netos, além de arcar com as demais contas da família. Outro grupo que continua a demandar empréstimos consignados é o dos servidores públicos, que acumulam dívida de R$ 172,5 bilhões. Nos últimos 12 meses, a alta do estoque de crédito dos funcionários da administração pública chegou a 3,1%. Neste ano, a expansão foi de 2,7%.

Além de endividados, os brasileiros ainda sofrem com juros abusivos. Mesmo após o governo ter alterado as normas para o cartão de crédito rotativo, a taxa média dessa modalidade voltou a subir em junho, passando de 377,9% para 378,3% ao ano. Quem pagou o mínimo de 15% da fatura arcou, em média, com taxa de 230,4% ao ano, uma queda de 28,1 pontos percentuais em relação a maio. Para os que nem sequer conseguiram quitar o valor mínimo, porém, os juros subiram de 453,9% para 460,7% ao ano.

Fernando Rocha, chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, acredita na redução das taxas do cartão de crédito nos próximos meses. Desde que as novas regras de migração de dívida entraram em vigor, em abril, a taxa do rotativo regular do cartão caiu de 431,1% ao ano para 230,4%. “A redução nos próximos meses não será da mesma magnitude, mas ainda há possibilidade de recuo”, disse. Ele explicou que isso deve ser observado também em outras modalidades de financiamento, diante do ciclo de queda da taxa básica de juros promovido pelo BC.

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